domingo, 4 de abril de 2010

Contraditória

Quero o dedo na ferida da vida

Gastar a sola dos sapatos

Lamber os beiços

Abraços fortes de estreitar laços

Sorrisos francos de abrir portas

Nas pontas dos pés, pequenina

Me estico inteira pra ver se alcanço o mundo, em vão...

Sem deixar rastros, avanço!

Para que me seguir seja cada vez menos...

Confortável!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Precisa-se de colo e cafuné.

Estou sozinha como nunca estive, converso com amigos imaginários e conto meus segredos mais íntimos. Aquilo que ainda não havia contado nem a mim mesma, confesso entre meias palavras.
Desconfio que esse estado de loucura ainda é leve, nada grave. Vai passar. Assim como daqui alguns dias, semanas ou meses eu me sentirei menos só.
Eu preciso das pessoas e elas ainda não são queridas por mim, nem eu por elas.
Sou eu comigo mesma, enfrentando minhas ausências, saudades e vazios. Colorindo meus dias com pequenos prazeres, apostando no incerto e conhecendo minhas fraquezas.
Quem sou eu em um lugar sem referências?
O que esperar de mim?
Que lugares eu gosto de ir?
De que tipo de pessoas eu me aproximo?
Quem eu escolho como meus amigos?
Em quem confiar?
Como eu quero ser vista pelas pessoas?
O que eu to fazendo aqui, o que eu vim buscar?
Só sei que agora vou dormir, boa noite.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Estou num misto de felicidade extrema e a mais pura e legítima tristeza.
Estou eufórica e a cada momento descubro um sentimento novo.
Hora ou outra, tenho vontade de me encolher toda, covarde.
Mas vou me atirar rumo ao desconhecido, eu esperei o momento exato de desabrochar.
Caralho! (nada tem mais intensidade)
Intensa, é assim que eu me sinto.
A minha partida no instante agora. Embarco nessa aventura chamada vida de peito aberto, rumo ao incrível. Escolho trajetos impensados, paisagens desconhecidas, vou adorando o absurdo.
Sei bem que chegou a hora de partir e que despedidas são sempre tristes e egoístas.
Aprendi a voar e me deram asas! Agora tenho que ir para longe de tudo que um dia aprendi a amar.
Escrevo entre gargalhadas histéricas e choro contido. Um mundo novo me espera, cores, cheiros e sabores, entre texturas e sentimentos vou descobrir quem sou eu e a que mundo pertenço.
Levo comigo sorrisos e choros, abraços e a certeza de que um pedaço de mim fica.
Quando a saudade apertar e a dor ficar insuportável, preparem os abraços. Eu volto.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Queria falar de coisas miudas com importância de pedrinha caída.
Falar a língua das minhocas, que entendem como ninguém da úmida terra, são a própria terra minhonificada.
O lambari pula assustado na mão do menino e o tatu bola se enrola quando a gente toca.
Couve-flor coitada, se disfarça de flor porque também quer ser beijada.
E o beija-flor sarcástico, insiste em beijar aquelas flores de plástico.
Soube outro dia que o camaleão muda de cor para inventar moda. Achei bonito.
O urubu é um passarinho simpático aos olhos de uma menina que enxerga além.
Todos os dias brotam dúvidas: E os seres invisíveis, como se sentem?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Deselegante menina



A bailarina nunca antes ousara sair da caixinha de música

Ficava lá incansáveis horas, rodopiando suas já gastas sapatilhas

Ao som de uma interminável música clássica

Girando e girando sem sair do ritmo

Perfeita!

Até o dia que esqueceram de dar corda na caixinha...

A menina curiosa resolveu sair, pra dar só uma espiadinha!

E ao sair, descobriu um mundo lindo de imperfeições!

Quis perder a compostura, rasgar a partitura

No descompasso, desfez-se o laço

Cansou dos tons pastéis

Quis experimentar outros papéis

Pendurou as sapatilhas

Gastou todas as milhas

Rodopiou com outros pares

Conheceu muitos lugares

Mas procurando bem,

Há dores, que só a bailarina tem.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

- Vô, nostalgia é quando a gente lembra com saudade do passado, não é?
- É.
- E quando a gente sente saudade do futuro como chama?
- Esperança.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Volto logo

Até qualquer dia!
Eu volto
Vou buscar inspiração
Prometo que volto
Renovada, leve...
Sem grilos!
Calma, não desespere!
Vou ali...
No alto da montanha
Pisar na grama
Dormir na rede
Vou de bicicleta
De asa-delta
Talvez andando
Eu sempre volto
Mas se acaso não voltar...
Não vá se perder por aí!