quinta-feira, 28 de maio de 2009

Caixinha de surpresas


Do lado de dentro
Caleidoscópicas nuvens
Tulipas agridoces
Lunetas lisérgicas

Libélulas incandescentes
Poetas eternizados
Notas musicais
Presente dos deuses

Cá fora, televisão
tempestade, política,
religião e futebol
Curiosa caixa de Pandora!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Quem não tem cicatriz não tem história.

Caí de uma árvore na casa da minha avó,
me rendeu alguns pontos no queixo.
-"Antes de casar sara."

Essa eu fiz andando de patins na sala de casa,
abri o joelho na quina da mesa e ainda levei bronca.
-"Antes de casar sara."

Queimei a perna no escapamento da moto do meu tio,
doeu a vera.
-"Antes de casar sara."

Cocei tanto a testa quando tive catapora,
que ficou assim.
-"Antes de casar sara."

Perdi um amor, dois, ou três...
-"Já sei, antes de casar sara..."
Tenho orgulho das minhas cicatrizes.
Quero saber das tuas.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Planejamento...

1. viajar o mundo todo.
2. casar. (em um balão)
3. publicar um livro.
4. ter minha casa, filhos, cachorros e uma horta.
5. viver um dia de cada vez, feliz da vida.

E se nada der certo?

Eu viajo a europa, africa, oceania e américa do sul e deixo a do norte, ásia e a antártida pra lá...
Eu caso em uma igrejinha no interior.
Eu escrevo o livro mas não publico.
Eu moro de aluguel, tenho meus bacuris, um vira-lata e um pé de alface.
E vivo feliz para sempre...

Simples assim!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Eu acredito em borboletas



Sem nenhuma graça,
a gorda lagarta,
passa o dia rastejando com dificuldade,
comendo folhas...

- Que tédio, pensa ela.

Não faz idéia
que o seu destino é voar por aí,
leve,
solta e colorida.

Mas eu acredito em borboletas.
(você me ensinou a acreditar)

Transformar-se,
deixar para trás velhos hábitos,
refletir dentro de um casulo por algum tempo
para que o ciclo da vida se cumpra.

É preciso esforço para rasgar o casulo.
E voar livre por aí...
Mas, uma vez borboleta,
não mais lagarta.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Lar baiano




Ah, se eu não tivesse essa pressa paulistana.
Eu teria uma rede, ouviria mais Caymmi.
Eu comeria mais peixe, salada, frutas. Largaria o fast-food.
Tomaria mais água de coco, à beira mar.
Ah se eu não perdesse quatro horas do meu dia no trânsito, ganharia tempo para caminhar, pegar um cinema, tomar um sorvete com meu broto.
Juntava os amigos, jogava uma capoeira.
Ah se eu fosse baiana.
Trocaria o som dos carros na avenida pelo barulhinho do mar.
Eu teria uma varanda, filhos e alguns cachorros.
Minha casa seria florida, cheirando flor de maracujá. A porta viveria aberta.
Meu céu teria infinitas estrelas, algumas cadentes.
E eu não teria mais nada para pedir.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Arritmia


Seu coração teimoso
Ta batendo fora de ritmo
Mas a cadência do meu
Vai fazer o seu entrar no samba
Pulsar junto com o surdo
Bater feito tambor
Sem atravessar a batucada
Não que eu entenda de samba
Mas meu coração de lata
Quer você na avenida
Até o final do desfile
Minha escola nota dez.

quinta-feira, 9 de abril de 2009


Não almoçar direito era sinônimo de ficar sem sobremesa, havia de se fazer o sacrifício do arroz feijão para se lambuzar de chocolate depois. Assim foi sempre, mas em um dia de Páscoa, acordamos cedo para procurar os ovos que o senhor coelho escondera como de costume no quintal. Já sabiamos que atrás de alguma árvore provavelmente ele estaria reluzindo colorido.
Com a notícia de que nós só poderiamos degustar nosso delicioso ovo após o almoço, voltamos a brincar...
O Gabriel, meu irmão, com seus dois anos, dalí a algum tempo sumiu. Nossa mãe foi a primeira a botar reparo, procurou pela casa toda. Como é possível, será que ele saiu pelo portão e ninguém viu? Olhamos em baixo de todas as mesas, em todos os cantos e nada dele aparecer, quando minha avó resolveu abrir um armário do quarto dela.
Ali estava ele, dormindo tranquilo por cima de cobertores macios, todo lambuzado de chocolate!
E quem foi que disse que ele almoçou depois?
É, os adultos tem sempre razão.