sábado, 25 de dezembro de 2010

Vez ou outra me apaixono por algum desconhecido.
Imagino se ele acorda de bom humor.
Se ele usa bermuda ou sunga quando vai à praia.
Se sobe em árvores, se tem cicatrizes.
Como trata os velhinhos, se gosta de crianças.
Será que meus amigos vão gostar dele?
Se o silêncio vai ser um problema quando o assunto acabar.
Se vamos inventar afinidades...
Se a vontade de ficar perto vai crescer.
Se tem calma no trânsito, se terá paciência para esperar meus banhos demorados.
Se sabe me fazer rir, se gosta de poesia ou prefere prosa.
Se é uma boa companhia de viagem.
Se sabe contornar o tédio, reinventar saídas, rir de si mesmo.
Se eu vou me sentir a vontade ao seu lado para ser espontânea.
Se gosta de samba e bebe cerveja ou se vai a shows e prefere vodka.
Se vai ao cinema, lê livros e adora viajar.
Se pratica algum esporte toda semana, tem amigos de infância...
Se dirige bem.
Se é fanático por algum time.
Quais seriam suas manias, defeitos, chatices?
Gosto de imaginar, mas prefiro descobrir.

2 comentários:

Natalia Areia disse...

Adorei o texto. É lindo, leve, delicado e mesmo assim você, num ritmo gostoso, conseguiu explicitar toda a angústia de cada vez que isso acontece, mesmo que rotineiro. Se apaixonar é sempre um tormento. É como se o mundo estivesse deixando você para trás. parada no pensamento de um único ser.

Daniel Farias disse...

gostei muito desse